É possível superar a destruição do patrimônio cultural? - 04/09/2018

 

Fachada do Palácio de Inverno, em São Petersburgo, onde funciona o museu Hermitage (Foto: Reprodução/Twitter/@hermitage_eng)

 

Respeito, solidariedade ou zelo pelo patrimônio. Chame como quiser, mas todo o acervo do Museu Hermitage, na antiga Leningrado, hoje São Petersburgo, foi salvo dos bombardeios da Alemanha nazista graças ao esforço hercúleo de seus funcionários. Nossa civilização é testemunha de atentados monstruosos contra seus maiores tesouros, sejam intencionais, como a devastação de Palmira pelo Estado Islâmico, ou negligentes, como o incêndio do Museu Nacional, no Rio. A reação a eles merece ser lembrada.

Numa corrida contra o tempo, funcionários do Hermitage receberam o reforço de moradores de Leningrado, dois dias depois que as tropas alemãs invadiram a União Soviética, em junho de 1941. Iniciaram um mutirão, trabalhando dia e noite, e conseguiram empacotar e retirar 1,2 milhão de obras de arte da cidade.

Boa parte foi removida em dois trens para os Montes Urais. As peças maiores ficaram escondidas no subsolo em sacos de areia. O Hermitage serviu de moradia a milhares de pessoas durante o cerco nazista. Sofreu 19 bombardeios. Finda a guerra, o prédio estava destruído, mas seu acervo retornou intacto ao museu.

Paisagem cultural da Unesco, os Budas de Bamiyan foram esculpidos em rochas por volta do século V na antiga Rota da Seda. Resistiram até 2001, dinamitados por ordem do governo fundamentalista Talibã no Afeganistão. As imagens da explosão destas estátuas gigantescas -- a maior tem 53 metros -- ainda causam dor e indignação semelhantes às do fogo ardendo em nosso Museu Nacional, no último domingo.

 

Mulher passa em frente a um local onde antes do Talibã havia uma estátua gigante de Buda em Bamiyan (Foto: Shah Marai/AFP)

 

O governo japonês se comprometeu a reconstruir os Budas. E um casal de aventureiros chineses fez mais, com a ajuda de um projetor 3D a laser: 14 anos depois da destruição, os monumentos puderam novamente ser admirados em tamanho real, numa exibição para os moradores.

Também alvo da intolerância talibã, o Buda do Vale do Swat, no Paquistão, foi dinamitado seis anos após a destruição das estátuas de Bamiyan. Mas pôde ser restaurado uma década depois. A recuperação preservou, contudo, algumas marcas do atentado, incorporado agora à história do monumento.

Nos últimos anos, o Estado Islâmico transformou a destruição de patrimônio em arma de guerra, dilapidando sítios arqueológicos e relíquias históricas na Síria e no Iraque e saqueando o acervo para a venda no mercado negro.

 

Ruinas do Templo de Bel, destruído pelo Estado Islâmico, na cidade de Palmira, na Síria (Foto: AFP Photo/Joseph Eid)

 

O pesar e a constatação da memória perdida deflagraram o contra-ataque. França e Emirados Árabes Unidos lideraram no ano passado a criação da Aliança Internacional para a Proteção do Patrimônio Cultural em Zonas de Conflito, que arrecadou em pouco tempo US$ 80 milhões. Por outro lado, países europeus assinaram um acordo proibindo o comércio ilegal de antiguidades, resultado de pilhagem de grupos terroristas.

E a tecnologia funciona como uma aliada importante na recuperação, ao menos, das imagens do que foi destruído. O Instituto de Arqueologia Digital (IAD) reúne cientistas e fotógrafos com o objetivo de criar a maior base de dados destas relíquias, uma espécie de Google Earth do patrimônio cultural em risco.


Fonte: G1





Calendário Acadêmico

Passe o mouse nas datas marcadas e clique para ver os detalhes.

Central do aluno


Alunos! Todas as informações úteis para o seu dia-a-dia acadêmico.

Acessar

Instituição Participante - PROUNI